Ato político-cultural realizado na UFBA reuniu lideranças sindicais, intelectuais e o embaixador de Cuba no Brasil em defesa da soberania cubana diante do bloqueio econômico
Na noite desta segunda-feira (15), o presidente em exercício da CUT Bahia, Luciomar Machado, participou do ato político-cultural “Cuba Não Está Só”, realizado no auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFBA, no bairro da Federação, em Salvador.
O evento reuniu lideranças sindicais, intelectuais, militantes e representantes diplomáticos em torno de apresentações culturais e falas políticas em solidariedade ao povo cubano, num momento em que o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos atinge níveis críticos.
CUT Bahia reafirma solidariedade internacional
Luciomar Machado destacou a centralidade do apoio a Cuba neste momento e a natureza estratégica, não apenas humanitária, dessa solidariedade. “Precisamos lutar por Cuba para lutar por nós mesmos”, afirmou, sublinhando que a luta em defesa da ilha caribenha está diretamente conectada à defesa da soberania dos povos latino-americanos.
O dirigente ressaltou o histórico de solidariedade de Cuba com o mundo: das missões médicas aos programas de educação abertos a estudantes de todos os países, incluindo estadunidenses. “Cuba é uma nação que sempre esteve ao lado dos povos em momentos de desastre e necessidade. Apoiá-la é também honrar esse compromisso”, pontuou.
Bloqueio se intensifica e ameaça soberania cubana
O ato contou com a presença do embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, que acompanhou os debates e reforçou o agradecimento do povo cubano ao movimento de solidariedade brasileiro. Ele também apontou as necessidades concretas e urgentes do povo cubano. “Combustível , alimentos e insumos para a produção de alimentos e medicamentos”. O embaixador alertou ainda para o caráter real e constante da ameaça de conflito armado contra a ilha, e convocou os brasileiros a intensificarem o engajamento em defesa de Cuba.
A dirigente nacional do CEBRAPAZ (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), Socorro Gomes, alertou para o agravamento da situação: “Desde 29 de janeiro de 2026, o bloqueio a Cuba é ainda mais truculento. Indigna a todos. É um bloqueio perverso, longo, que busca destruir qualquer possibilidade de soberania”.
O jornalista Breno Altman, fundador do site Opera Mundi, contextualizou geopoliticamente a ofensiva contra Cuba: “Não se trata principalmente de solidariedade o movimento em defesa de Cuba. Devemos compreender o papel que Cuba joga hoje diante desse levante imperialista. A escolha de Cuba é parte de uma estratégia de recuperação do pleno controle da América Latina pelos Estados Unidos, como o próprio governo norte-americano divulgou recentemente. A subordinação da América Latina é peça-chave, e essa conquista passa por derrubar os governos que foram mais longe em outra possibilidade de sociedade, dos quais Cuba é o maior exemplo”.